Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

ÚLTIMA CRÓNICA DO ANO

Aconteceu ontem a última Assembleia de Freguesia de 2009. Casa cheia para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos, o que é sempre bom de registar. A Câmara Municipal entendeu honrar esta sessão com a presença do Sr. vice-presidente, num dia de Assembleia Municipal.
Ficamos sempre gratos à presença de qualquer representante da Câmara desde que venha acrescentar valor à sessão. Não foi o caso. Numa atabalhoada tentativa de explicar as escassas obras projectadas para esta freguesia para 2010, e a não realização das que têm bailado sucessivamente de Plano em Plano, o Sr. Vice-presidente apresentou-se nervoso, agressivo e brindou-nos com um tom de voz que lhe desconhecia. Disse amar a frontalidade mas dá-se mal com a dos outros. Não precisamos aqui de quem nos afronte mas sim de quem venha apontar caminhos e, mais ainda, de quem venha assumir um envolvimento sério no que ao futuro diz respeito. Efectivamente, pela parte que me toca, não esperava outra coisa quanto à não explicação do que explicação parece não ter. Já estamos habituados.
Percebemos também que há mais gente que tem ou teve responsabilidades autárquicas, que não gosta de ser confrontada com a realidade.
Ficámos ainda todos a saber que um certo número de obras que foram realizadas em 2009, constam no Plano de Actividades para 2010 porque é preciso pagá-las. Naturalmente, pois o corrente ano foi farto em disparates. Pelo menos aqui por Canelas. Nessa base, a seguir a 2013 quem vier atrás que feche a porta, já percebemos.
Mas, quando se pergunta o que foi então feito às verbas definidas para as tais obras, a resposta é que a Câmara arrecadou muito menos Receita do que tinha previsto! Como tal, as obras não puderam ser pagas ou mesmo realizadas. Simples. Nesta altura lembro-me que a CME se tem vangloriado de registar a mais elevada taxa de Execução Orçamental de sempre. Mas então em que ficamos? A taxa de execução é conseguida à custa da realização de obras não pagas, ou tem a ver com a execução daquilo que estava previsto no Orçamento?
Qualquer cidadão perceberá que, por exemplo no próximo ano, dos 148 mil euros que estão definidos para realizar algumas obras em Canelas, se forem apenas utilizados 70 mil, a taxa de execução orçamental da Câmara não sofrerá qualquer mossa. Assim já se percebe pois, afinal,o que representam 70 mil euros num Orçamento de vinte e nove milhões e seiscentos mil? Uma gota, nada mais, ou melhor, representam a tal parte vazia do copo com que temos de nos contentar ano após ano, enquanto outros se "embebedam" com sucessivos meios copos cheios. É o que nos cabe.
E de nada vale vir aqui quem quer que seja tentar adormecer a malta e dizer-nos que a par dos 148 mil euros que constam no Orçamento da Câmara (dos quais se espera uma taxa de execução pelo menos de 50%), se realizam outras obras. Obras? Mas que obras? Daquelas de 10.000 euros? São essas as obras que desenvolvem uma freguesia?
Efectivamente, nada há projectado para esta freguesia a que se possa chamar Obra. Atiram-se para aqui uma meia dúzia de euros para ir calando o serviçal povo, que pouco parece importar-se com o que quer que seja. Em maré de eleições, "há-de fazer-se mais alguma coisa".
Sabemos que há gente que não gosta destas contas mas é muito fácil ver as coisas lá de cima; aqui por baixo, a realidade é bem diferente e é com elas que vivemos.
Ficámos também a saber que afinal sempre houve uma contrapartida pela construção da A29, ainda que a mesma tenha custos para a autarquia: a reparação de cerca de 200 metros de caminho agrícola. Surreal!
Relativamente ao Plano de Actividades da Junta, saliente-se o seu aspecto formal que, pela primeira vez, cumpriu as regras de como se elabora um documento destes. O seu conteúdo é, obviamente, discutível mas aceita-se. Obras recentemente inauguradas lá figuram como sorvedoras de parte do orçamento do próximo ano. São disso exemplos a Estação Viva e o Parque de Merendas a que alguém pretende designar (mas estas coisas têm regras) de Parque Álvaro Nora. Parece-me mal. Se não estavam prontas não se justifica a inauguração. Não se justifica mas percebe-se. Afinal nem toda a gente por aqui é cega ou demente, embora haja quem pense que sim.
Quanto ao Orçamento, exige-se um muito maior detalhe, lacuna que vem de trás mas ficou a promessa de melhoria.
E foi assim, num clima de paz e serenidade, que se chegou ao final de mais um ano civil e político. Ainda não foi desta que o grupo da oposição veio "armar barraca" como se tem propagandeado por aí sempre que há Assembleia de Freguesia. De facto, o grupo da oposição continua independente, sabe bem o terreno que pisa, está por dentro da política local, é interessado e colaborante, sabe defender os interesses da freguesia, não teme as tempestades em que o querem meter nem se deixa enrolar ou intimidar por aqueles que, falam mais alto ou lá mais de cima.
Um Bom Ano para todos.

Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Agradecendo as visitas, os comentários, a partilha de opiniões,
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FRASES

Pertinente a frase do dia que ontem aparecia na sidebar do blogue. Uma frase que vai mudando, aleatoriamente, todos os dias. Esta era de Albert Camus: "Não se pode criar experiência, é preciso passar por ela."
Albert Camus foi um escritor e filósofo nascido na Argélia, prémio Nobel da Literatura em 1957, pelos escritos que foi produzindo contra a pena de morte. Vale a pena passar os olhos pela sua biografia (aqui).
Mas, voltando à frase, hoje há Assembleia de Freguesia, às 21h00.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

O OUTRO LADO DO NATAL

Domingo, Dezembro 20, 2009

FELIZ NATAL


Um NATAL FELIZ para todos:
amigos, ou nem por isso;
conhecidos ou anónimos;
para os que amam e para os que odeiam;
para os que agora estão perto e para os que se afastaram;
para os verdadeiros e para os outros.


Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

REFRESCAR A MEMÓRIA

Ora cá estamos de volta aos Planos e Orçamentos para refrescar a memória aos distraídos.

Pois bem, no ano que está prestes a terminar, a Câmara Municipal de Estarreja ousou brindar esta freguesia com um total de verbas definidas - logo disponíveis - de 420.000 Euros! Ora, em 24 de Janeiro, perguntava-se [aqui] se alguém acreditava que, mesmo em ano de eleições autárquicas, seriam investidos mais de oitenta mil contos nesta esquecida freguesia.
Importa então verificar e fazer as contas.
Pegue-se no mesmo quadro elaborado em Janeiro de 2009, ao qual se acrescentou a Execução do corrente ano. (Clicar para abrir).

Interessante, sem dúvida!
Mas, mais interessante é constatar o que vem aí em 2010. O texto é do Jornal de Estarreja.Ora, o desafio que aqui se deixa é muito simples e trata-se de descobrir quais as obras para 2010 que não estão no 1º Quadro. Percebe-se agora e assim, o que são Planos Plurianuais.
Dos 29 milhões e seiscentos mil Euros que a Câmara Municipal pretende gastar em 2010, caberá à freguesia de Canelas a astronómica soma de 148 mil euros! É o prémio pela votação no PSD/CDS.
Mas há mais dados a reter deste rol de intenções para o próximo ano:
- Há obras que já foram realizadas mas continuam no Plano para 2010. Interessante.
- Pardilhó será (novamente) a freguesia mais mimada por este Executivo Camarário, com um milhão e cento e vinte e cinco mil euros! Óbvio: quem parte e reparte...
- A nova Piscina vai levar mais dois milhões de euros, o que a juntar aos dois milhões gastos em 2009 e aos 162 mil previstos em 2o11, fará dela o símbolo da era José Eduardo. Não será de estranhar que a principal obra seja para meter água...
- Após a recuperação do parque escolar do concelho, onde foram e continuam a ser gastas avultadas somas, o lançamento a concurso do Centro Escolar de Salreu não deixa de ser mais um tiro nos pés.
- Fica a saber-se que as Juntas de Freguesia passam a ter responsabilidades nas obras viárias para o que a Câmara vai disponibilizar 400 mil euros, não se sabendo, no entanto, o que cabe a cada uma. Segundo o JE, um único executivo "pode gastar metade do bolo total e deixar o restante para as outras seis". Inovador e extraordinário!
- Os arranjos urbanísticos do Centro Cívico de Pardilhó, valem mais do que todo o montante atribuído a Canelas (187.125 euros, contra os 148 mil de Canelas).
- Veiros paga novamente a factura mais pesada (provavelmente pela indecisão primeira do José Fernando em aceitar ou não a recandidatura). A esmola é de 129.500 euros. Mais um prémio para uma freguesia que, a seguir a Pardilhó, mais votou no PSD (68,27%).
- O Carnaval vai levar mais do erário público do que Canelas, Veiros ou Fermelã, atendendo à taxa média de execução da era José Eduardo nestas freguesias.
- A Programação do Cine-Teatro vai custar 210.500 euros. Só para relembrar: Canelas terá 148 mil.
- As Festas de Santo António mais o Festarreja, mais o Festim, mais o Festival 7 Rias 7 Freguesias, levam tanto como Veiros e pouco menos que Canelas. E siga a Festa!
Resumindo: um Plano de Actividades que merece, obviamente e no mínimo, o voto contra dos autarcas de Canelas e Veiros. Veremos...
E por agora por aqui me fico, com a certeza de que este assunto ainda vai voltar a ser aqui falado, provavelmente depois da apreciação dos documentos oficiais.

Aditamento ao post: este Orçamento já chegou à Madeira!!!

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

MAIS UMA...

Terminou a espera ou, como agora se usa dizer, o suspense, à volta da localização da fábrica de baterias da Nissan. Afinal, nem Sines nem Estarreja: Cacia.
Pelo meio ficaram certezas incertas, afincados envolvimentos (diz-se), acusações e sei lá o que mais. Propagandeou-se que se fez tudo o que possível foi, sendo que o tudo por aqui é sempre quase nada. E a história no concelho não é nova, infelizmente; é antes uma reconstrução de outra (s) já vivida (s), com alguns actores diferntes mas os mesmos protagonistas.
Obviamente que, ao contrário de alguns, não tenho qualquer satisfação em ver fugir de Estarreja mais um investimento gerador de postos de trabalho, num concelho que vai começando também a sentir na pele a subida do desemprego que se verifica no distrito. Recorde-se que Aveiro é actualmente o 5º distrito com maior taxa de desemprego (quase 38.000 desempregados, o que representa 10,21% da sua população activa).
A triste realidade, é que Estarreja perdeu mais uma batalha, e é isso que fica para a história. E quando tal acontece vez atrás de vez, é porque os lutadores são fracos, ou a tática desadequada. Parece óbvio!...

Sábado, Dezembro 05, 2009

Recantos de uma terra

Garça cinzenta

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

CITAÇÃO

Em 1867, escrevia Eça de Queiróz:

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"

Actual? - Actualíssimo!!!

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

CLARIVIDÊNCIA

Aqui está uma parte da justificação da proposta de aumento de 1% dos salários da Função Pública para 2010.
Num país cuja economia cresce, em alguns anos, zero vírgula qualquer coisa e noutros decresce um, dois ou três por cento - e que se arrasta nisto há pelo menos trinta anos - é reconfortante para o comum cidadão começar o dia com a leitura de uma notícia destas.
Pergunta-se:
- Que moralidade consubstancia os sucesivos "assaltos" à bolsa da classe média/média baixa, perpetrados por governantes sem escrúpulos, sem princípios e sem responsabilidade social, em nome de uma Educação que não existe, de uma Saúde cada vez mais enferma, de uma Justiça assustada ou de uma recuperação Económica jamais conseguida?
Exige-se a responsabilidade e responsabilização dos detentores - todos - de cargos públicos, a começar pelos membros dos governos - que devem responder civil e criminalmente pelo resultado da gestão que produzem - como se deveria exigir a reposição de milhões e milhões que directa e indirectamente, são sacados do erário público em circunstâncias que se vão descobrindo mas que a nada levam.
É incompreensível que governações desastrosas terminem sempre na promoção dos "artistas", enquanto o país se enterra a olhos vistos.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

A VERGONHA DA (IN)JUSTIÇA PORTUGUESA

Completam-se hoje 5 anos sobre o início do julgamento do caso Casa Pia. Não fosse a televisão e os jornais a lembrar o facto e ninguém se lembraria da triste efeméride.
De facto, passaram já 2.555 dias ou, se quisermos, 61.320 horas desde o dia 25 de Novembro de 2002, data da detenção de Carlos Silvino, após a denúncia de abuso sexual de menores feita pelo jormal "Expresso" em 23/11/2002.
O processo remonta já ao longínquo ano de 1982, data em que duas crianças, tidas como fugidas da Casa Pia, são encontradas no apartamento do embaixador Jorge Ritto, frequentado habitualmente por Carlos Cruz.
Parece-me evidente que há provas de culpabilidade inequívocas pelo que não se compreende que mais de 61 mil horas não sejam suficientes para o apuramento da verdade. O adiamento ad aeternum do fim desta vergonhosa situação não parece ter outra finalidade do que dar todo o tempo do mundo aos presumíveis culpados, para que urdam os mais diversos alibis, com vista à sua total ilibação.
Todo o país sente, à semelhança de tantos outros casos mediáticos, que a impunidade é a auréola que protege os grandes, pelo que ninguém se pode espantar com o aumento da criminalidade doutorada.
Estou certo que o primeiro juíz deste caso, o magistrado Rui Teixeira, teria há muito concluído este processo, não tivesse dele sido afastado. E foi-o, porque importa não se chegar ao fim...

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

VISITA DE SUA EXª, O SR. PRESIDENTE

Ao que parece, e segundo noticia a RVR, vamos ter entre nós o Sr. presidente da República, já no próximo sábado.
O programa da visita a Estarreja permanece ainda no segredo dos deuses mas, como é apanágio dos pequenos núcleos populacionais, rapidamente se descobre o que se pretende esconder.
Assim, e enquanto a Câmara de Estarreja parece querer guardar o dito itinerário até ao último momento, já toda a gente do sul do concelho o conhece de cor.
Para que conste, aqui fica, com as devidas correcções:

- Visita ao Eco-Parque empresarial seguida de
- Visita à Quinta da Malafaia;
- Visita às obras resultantes das contrapartidas pela construção da A29, em Canelas e Fermelã (fotos acima);
- Colóquio à luz da vela na Estação Viva - Canelas;
- Visita em TT aos Percursos BioriaII - (Fotos infra);
- Lanche no recentemente inaugurado Parque de Merendas de Canelas (Foto infra);
- Sessão de Encerramento, no Salão Nobre da CME
- Jantar ao ar livre no Centro Cívico de Pardilhó.

Desejamos a S. Exª, o Sr. Presidente, uma boa estadia.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Z(onas) O(ficialmente) N(obres)

Aqui em Canelas somos:

- 10,2 Km2.
- 32,87 Km de rede viária.

- 1486 habitantes – 777 mulheres e 709 homens.

Temos:

- o mais alto índice de envelhecimento do concelho.
- o segundo mais alto índice de dependência de idosos.
- o segundo mais alto índice de dependência total.
- uma taxa de desemprego de 8,8%.

Temos ainda:
- 1 Igreja
- 1 Posto médico

- 1 Escola
- 1 Centro Social

- 1 Associação Desportiva
- 1 Banda
- 1 Agrupamento de Escuteiros
- 1 Grupo Vicentino


E ainda:

- 2 percursos Bioria

- O Esteiro
- Uma Estação Viva

- 2 auto-estradas
- 1 Estrada Nacional
- Caminho de ferro - tudo aqui, sem falhar.

Se podíamos viver sem isto:

Poder, podíamos... mas não era a mesma coisa!

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

QUANTO VALE UM VOTO?

Estou certo que poucos serão os eleitores que sabem da existência de uma Lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais que, no seu Artº 5º do Capítulo I, diz:

1- A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual, desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República.

2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.

E serão ainda menos os cidadãos sabedores de quanto vale directa e indirectamente um voto. Pois bem, sendo o actual Salário mínimo mensal de 450 Euros, cada voto vale, directamente, 3,33 euros/ano aos partidos com assento na Assembleia da República.
Significa isto, que nos próximos 4 anos, do erário público, 27 milhões e 674 mil euros vão direitinhos para o PS; 22 milhões e 63 mil euros para o PSD; 7 milhões e 906 mil euros para o CDS; 7 milhões e 440 mil euros para o BE e 5 milhões e 959 mil euros para o PCP-PEV. Falamos assim de mais de 71 milhões de euros entregues de mão beijada aos principais partidos de um país economicamente indigente. Somando a isto o valor indirecto possível - as subvenções, ordenados, despesas de representação, carros, combustíveis, telemóveis, etc., inerentes aos cargos públicos, cujo preenchimento emana geralmente dos actos eleitorais, fica então a perceber-se que afinal um simples e único voto pode valer muito mais do que se possa imaginar.
Ora, neste momento dou comigo a pensar que todos os 3.830.355 cidadãos que não votaram no passado dia 27 de Setembro, mais os 99.161 que votaram em branco e somando ainda os 78.023 cujos votos foram anulados, prestaram um enorme serviço público ao país, uma vez que estes pouco mais que 4 milhões, traduzidos em votos úteis, provocariam a saída directa de mais 53 milhões e quatrocentos e trinta e três mil euros dos próximos Orçamentos Gerais do Estado, em favor dos 5 partidos mais votados. Assustador!
Confesso que nunca tinha pensado que um simples voto, válido ou em branco, estivesse intrinsecamente imbuído de toda esta carga monetária. Resta a cada um a opção de contribuir ou não para este circo, tendo do outro lado da balança os resultados das sucessivas governações. A minha (opção) está, há muito, tomada.

Domingo, Novembro 08, 2009

DIRECTO AO ASSUNTO

Portugal tem vindo a tornar-se num exímio produtor de longas metragens de qualidade superior, e os portugueses assistem na plateia serenamente ao desenrolar da acção. Na sua maior parte, os actores são principescamente pagos pelo Estado que se assume também como principal realizador.
Faltará apenas os Óscares para que "Camarate", "Casa Pia", "Apito Dourado", "Fátima & Felgueiras", "Freeport", "Isaltino & Cª", "Os Submarinos", "Operação Furacão", "Onde param os milhões da CEE?", "Assalto ao BPN", "Aconteceu no BPP", "A Face Oculta", etc., tenham o reconhecimento internacional devido.
Habituado que está o povo, a ser ciclicamente entretido pela cinematografia contemporânea, pouco importa que em nenhum dos filmes apareça a palavra "FIM", até porque, normalmente, a meio de um se inicia a rodagem de outro.
E é este o triste fado de um país e da sociedade que o compõe. Um país onde o crime compensa, e de que maneira!
Poucos se importarão actualmente com o clima de impunidade que se vai instalando, tal a sua normalidade e aceitação por parte da sociedade de um país que vai perdendo a identidade. Um país que aceita naturalmente ser governado por gente que se envolve nas mais sórdidas negociatas. Um país que pune os que o desgovernam com os melhores cargos nas empresas públicas. Um país que não pede responsabilidade a quem é responsável pelo desastre das contas públicas. Um país que não se interessa pela reposição dos milhões do erário público que engrossam contas particulares. Um país que distribui computadores ao preço da chuva, mesmo a quem aufere rendimentos brutais. Um país que subsidia a construção de 10 estádios de futebol e assiste à derrocada financeira dos clubes. Um país onde uns andam 12 anos a estudar para ter o 12º ano e outros o tiram em dois ou três anos. Um país que gasta milhões numa ligação de alta velocidade entre Lisboa e o Porto, cujo resultado prático se traduz na redução do tempo de viagem em alguns minutos apenas. Um país que protege os bandidos e pune os cidadãos normalmente cumpridores. Um país que suga, literalmente, a sua classe média. Um país que não larga quem lhe deve 10 Euros mas fecha os olhos aos que devem ou desviam milhões. Um país que pune os professores sempre que estes, por necessidade, imponham respeito nas salas de aula.
No fundo, Portugal é hoje um país apático, amorfo e descaracterizado, tomado de assalto por uma classe política impreparada e doentia que, na sua maioria, apenas tem contribuído para o seu afundamento socio-económico. Mas o que mais dói, é que o fazem legítima , devida e sucessivamente mandatados.