Ficamos sempre gratos à presença de qualquer representante da Câmara desde que venha acrescentar valor à sessão. Não foi o caso. Numa atabalhoada tentativa de explicar as escassas obras projectadas para esta freguesia para 2010, e a não realização das que têm bailado sucessivamente de Plano em Plano, o Sr. Vice-presidente apresentou-se nervoso, agressivo e brindou-nos com um tom de voz que lhe desconhecia. Disse amar a frontalidade mas dá-se mal com a dos outros. Não precisamos aqui de quem nos afronte mas sim de quem venha apontar caminhos e, mais ainda, de quem venha assumir um envolvimento sério no que ao futuro diz respeito. Efectivamente, pela parte que me toca, não esperava outra coisa quanto à não explicação do que explicação parece não ter. Já estamos habituados.
Percebemos também que há mais gente que tem ou teve responsabilidades autárquicas, que não gosta de ser confrontada com a realidade.
Ficámos ainda todos a saber que um certo número de obras que foram realizadas em 2009, constam no Plano de Actividades para 2010 porque é preciso pagá-las. Naturalmente, pois o corrente ano foi farto em disparates. Pelo menos aqui por Canelas. Nessa base, a seguir a 2013 quem vier atrás que feche a porta, já percebemos.
Mas, quando se pergunta o que foi então feito às verbas definidas para as tais obras, a resposta é que a Câmara arrecadou muito menos Receita do que tinha previsto! Como tal, as obras não puderam ser pagas ou mesmo realizadas. Simples. Nesta altura lembro-me que a CME se tem vangloriado de registar a mais elevada taxa de Execução Orçamental de sempre. Mas então em que ficamos? A taxa de execução é conseguida à custa da realização de obras não pagas, ou tem a ver com a execução daquilo que estava previsto no Orçamento?
Qualquer cidadão perceberá que, por exemplo no próximo ano, dos 148 mil euros que estão definidos para realizar algumas obras em Canelas, se forem apenas utilizados 70 mil, a taxa de execução orçamental da Câmara não sofrerá qualquer mossa. Assim já se percebe pois, afinal,o que representam 70 mil euros num Orçamento de vinte e nove milhões e seiscentos mil? Uma gota, nada mais, ou melhor, representam a tal parte vazia do copo com que temos de nos contentar ano após ano, enquanto outros se "embebedam" com sucessivos meios copos cheios. É o que nos cabe.
E de nada vale vir aqui quem quer que seja tentar adormecer a malta e dizer-nos que a par dos 148 mil euros que constam no Orçamento da Câmara (dos quais se espera uma taxa de execução pelo menos de 50%), se realizam outras obras. Obras? Mas que obras? Daquelas de 10.000 euros? São essas as obras que desenvolvem uma freguesia?
Efectivamente, nada há projectado para esta freguesia a que se possa chamar Obra. Atiram-se para aqui uma meia dúzia de euros para ir calando o serviçal povo, que pouco parece importar-se com o que quer que seja. Em maré de eleições, "há-de fazer-se mais alguma coisa".
Sabemos que há gente que não gosta destas contas mas é muito fácil ver as coisas lá de cima; aqui por baixo, a realidade é bem diferente e é com elas que vivemos.
Ficámos também a saber que afinal sempre houve uma contrapartida pela construção da A29, ainda que a mesma tenha custos para a autarquia: a reparação de cerca de 200 metros de caminho agrícola. Surreal!
Relativamente ao Plano de Actividades da Junta, saliente-se o seu aspecto formal que, pela primeira vez, cumpriu as regras de como se elabora um documento destes. O seu conteúdo é, obviamente, discutível mas aceita-se. Obras recentemente inauguradas lá figuram como sorvedoras de parte do orçamento do próximo ano. São disso exemplos a Estação Viva e o Parque de Merendas a que alguém pretende designar (mas estas coisas têm regras) de Parque Álvaro Nora. Parece-me mal. Se não estavam prontas não se justifica a inauguração. Não se justifica mas percebe-se. Afinal nem toda a gente por aqui é cega ou demente, embora haja quem pense que sim.
Quanto ao Orçamento, exige-se um muito maior detalhe, lacuna que vem de trás mas ficou a promessa de melhoria.
E foi assim, num clima de paz e serenidade, que se chegou ao final de mais um ano civil e político. Ainda não foi desta que o grupo da oposição veio "armar barraca" como se tem propagandeado por aí sempre que há Assembleia de Freguesia. De facto, o grupo da oposição continua independente, sabe bem o terreno que pisa, está por dentro da política local, é interessado e colaborante, sabe defender os interesses da freguesia, não teme as tempestades em que o querem meter nem se deixa enrolar ou intimidar por aqueles que, falam mais alto ou lá mais de cima.
Um Bom Ano para todos.










